31.10.10

Renê Terra Nova em busca do poder.

Renê diz: "Não é possível que a Dilma seja pior do que o diabo"

A plateia era formada por mais de 100 pastores, convocados em caráter de urgência, por telefone e e-mail, para a reunião estratégica em São Paulo. Representavam várias igrejas evangélicas independentes e vinham de todos os Estados, para ouvir as orientações do denominado "apóstolo", ou mais recentemente "patriarca", Renê Terra Nova.

"Quem aqui já ganhou uma pessoa pra Jesus? Fala sério. Pelo menos uma. Ora, se a gente conseguiu tirar alguém da mão do diabo, não é possível que a Dilma seja pior do que o diabo (risos). A gente convence".

Difícil encontrar uma ocasião que mais simbolize a mistura de política e religião que tomou conta do segundo turno da eleição presidencial do que a ocorrida na quarta-feira, 21, na Comunidade Cristã El Shaddai, igreja evangélica localizada no bairro Ipiranga, na capital paulista.

A convocação urgente - endereçada em convite eletrônico a pastores batizados de "Generais de Guerra" - é um caso exemplar de como o segmento religioso entrou de corpo e alma na campanha à Presidência que termina domingo.

Campanha que se viu, de repente, enredada em temas tabus como aborto, união civil de homossexuais, descriminalização das drogas e mostrou a força de um grupo de interesse. Dos bispos da Igreja Católica e seus panfletos distribuídos na saída das missas à mobilização dos evangélicos pela internet, os líderes religiosos tiveram o senso de oportunidade de aproveitar o momento.

É o caso de Renê Terra Nova. Apoiador de Marina Silva (PV), ele embarcou de Bíblia e notebook em seu avião - um Falcon 010, comprado no ano passado - para fazer campanha país afora para José Serra (PSDB) no segundo turno. Tomou para si a tarefa de empreender uma grande cruzada pelo tucano, como fizera para a candidata do PV.

Conhecido o resultado das urnas, no domingo, 3, Terra Nova conta que conversou com Marina Silva por telefone e, em seguida, se apresentou às hostes do PSDB. Na primeira semana do primeiro turno, teve uma reunião em Brasília com Mônica Serra, mulher do presidenciável, e com o candidato a vice da chapa, Indio da Costa. Desde então, passou a gastar dinheiro do próprio bolso em viagens com finalidade exclusivamente política. Garante não ter pedido nada em troca: nenhum cargo, verba para projeto de assistência social, ou concessão de rádio ou TV. "Sou um oferecido", diz, numa declaração de desprendimento que não corresponde ao seu comportamento.

Renê Terra Nova tem um estilo personalista. No encontro em São Paulo, os pastores sob sua influência o esperaram por mais de duas horas até que ele chegasse num Toyota CR-Z, ano 2010, cercado por assessores. No local, o estande da Semente de Vida, editora que publica alguns de seus mais de 100 títulos, exibia um grande banner com a foto do líder.

Na reunião política, Renê Terra Nova ensinou diversos truques para driblar a legislação eleitoral e enviar mensagens subliminares de apoio a José Serra durante as pregações nos cultos (leia abaixo). O apóstolo ressaltou muito a importância da internet como uma "ferramenta poderosa" de persuasão fora do púlpito.

"Correio eletrônico, You Tube, Facebook, Twitter, e-mails, MSN, se vire nos 30. Começe a mandar informações", ordenou a seus pastores, depois de se vangloriar de ter 14 mil seguidores no Twitter, mas não seguir ninguém.

Terra Nova abriu a reunião estratégica - que não escapou ao formato de culto, entremeada por orações e cânticos - dizendo que havia apenas 11 dias para fazer algo "grande", ou seja, uma virada de José Serra sobre Dilma Rousseff (PT).

Momentos antes, em entrevista ao Valor, ele reclamava dos institutos de pesquisas. Justamente na véspera, levantamento do Vox Populi apontava que Dilma abrira vantagem de 12 pontos. O pastor lembrava que Marina Silva havia sido vítima dos institutos no primeiro turno e que o mesmo estaria acontecendo com Serra. "É imoral, é estuprar a realidade", vociferava.

O prognóstico poderia provocar um anticlímax no encontro. Mas Renê Terra Nova não fez por menos. Minutos depois, no discurso aos pastores, afirmaria que duas pesquisas, pela manhã, já haviam sido divulgadas e apontavam empate técnico entre Serra e Dilma. Não citou a fonte.

Com o poder da palavra e uma alta dose de marketing, Terra Nova multiplicou fiéis, aumentou seu poder econômico e, agora, afirma, pretende conquistar poder político, a partir do rebanho sob seu controle.

Sua base é Manaus, onde ergueu um templo capaz de abrigar 7.500 pessoas e que custou US$ 17 milhões. É a matriz de sua denominação, o Ministério Internacional da Restauração (MIR), que tem igrejas no Rio, Natal, Porto Velho e Roraima. Ao todo, o MIR congrega pouco mais de 100 mil adeptos.

Seu poder de influência, contudo, não reside aí. Terra Nova cresceu no meio evangélico ao introduzir no Brasil uma nova forma, uma metodologia, de arrebatar fiéis. O modelo tem inspiração clara no mercado. "É marketing de rede", assume.

A estratégia piramidal é muito semelhante à utilizada pela marca Amway, que esteve em voga nos anos 90. Cada pessoa que entra num grupo ou "célula" de 12 discípulos tem a missão de ser um pastor/líder e formar seu próprio grupo de 12. O resultado esperado é um avanço em progressão geométrica. A primeira geração de 12 é seguida por uma segunda, de 144, que forma uma terceira, de 1.728, uma quarta de 20.736, e assim por diante. É o Modelo dos 12, ou M-12, que se inspira no número de apóstolos que seguiram Jesus e que dá origem à chamada Visão Celular, em referência ao grupo de células que se multiplicam.

Renê Terra Nova está no topo da cadeia no Brasil. Ele trouxe o modelo - que surgiu na Coreia, nos anos 50 - depois de importá-lo da Colômbia em 1998. Viajou, à época, acompanhado de outra pastora, Valnice Milhomens, tida como a maior responsável pela difusão da candidatura Marina Silva no eleitorado evangélico. Valnice, porém, preferiu a neutralidade no segundo turno.

Terra Nova diz ter 30 mil pastores sob sua influência, os quais, por sua vez, teriam sob sua cobertura 325 mil líderes de células, abrangendo ao todo 6 milhões de fiéis. É um rebanho gigantesco - próximo da maior igreja protestante no Brasil, a Assembleia de Deus, que fez 19 deputados federais entre os 64 da bancada evangélica eleita no primeiro turno. Em Manaus, porém, Renê Terra Nova não elegeu os dois candidatos a deputado que apoiava, um estadual e outro federal.

Questionado sobre a confiabilidade da estimativa de 6 milhões de fiéis que estariam sob sua influência, ele é evasivo. "Nós também temos nossos institutos de pesquisa...", diz, sem esconder o sorriso de ironia.

Terra Nova é um nome de peso no competitivo mercado religioso. A Visão Celular lhe proporciou expandir seu projeto, ao amealhar fiéis que não precisam abandonar as igrejas as quais costumam frequentar. As reuniões dos grupos de 12 discípulos são realizadas em residências, duram no máximo uma hora e têm como apelo a proximidade entre seus integrantes. Numa igreja grande, com 3 ou 4 mil frequentadores, por exemplo, dificilmente um pastor tem condições de saber ou tempo para confortar alguém, individualmente, caso esteja passando por um grave problema, como a morte de um parente.

A Visão Celular de Renê Terra Nova tenta se aproveitar desse dilema entre quantidade e qualidade. E fornece a uma gama difusa de pastores independentes - que abriram suas próprias igrejas - um corpo de ideias coeso e uma metodologia para expansão. Tal qual uma franquia.

A comparação com empresas não é descabida. Para que a multiplicação das células se dê, os fiéis são incentivados a ser pró-ativos. Por nove meses, frequentam uma "escola de líderes". Em um ano e meio, estão autorizados a empreender e abrir seu próprio grupo. Por experiência, a melhor forma de a célula ir adiante é que seja formada metade por homens e metade por mulheres.

O modelo é uma radicalização da teologia da prosperidade, que move a maioria das denominações evangélicas neopentecostais. Incentiva que o fiel seja ele mesmo um empresário da fé e não só um beneficiário de práticas aprendidas na igreja e voltadas para sua ascensão social.

A ideia de prosperidade está tão entranhada que, em discurso que antecedeu ao de Renê Terra Nova, uma de suas discípulas, Nídia Sá, precisou ressaltar a importância da política não como meio para se ganhar dinheiro, mas por se tratar de uma questão ideológica, para preservar uma sociedade com princípios cristãos. Nídia, ao falar do púlpito, era o símbolo de como a política e religião se casaram nesta eleição. À frente dos mais de 100 pastores, seu notebook trazia um adesivo escrito "Serra 45".

O projeto de poder político é visto como uma consequência inevitável da autonomia econômica. "Queremos governar. Cansamos de ser cauda", diz Renê Terra Nova, ao afirmar que o resultado surpreendente de Marina Silva mostrou a força do segmento evangélico. A onda verde, para ele, foi, essencialmente, uma onda cristã, de apoio à candidata do PV, embora Marina não tenha enfatizado o fato de ser evangélica.

Terra Nova conta que, no início, era muito crítico do mundo da política, mas que chegou à conclusão de que não é possível ficar à margem. Tanto que criou o chamado Governo dos Justos, que admite ser o braço político de sua organização. A intensa participação na campanha de José Serra é um sinal dos novos tempos. Outro é a expansão midiática.

"Decidi agora ir para a TV. Vou dar as caras daqui para frente. Preciso aparecer mais", diz o pastor, em referência a negociações para ter um programa na televisão e à entrevista que concedia, que chamou de "milagre", pois recusara pedidos de vários jornais e revistas nacionais de grande circulação. O que não deixa de ser outra estratégia de marketing.

Por Cristian Klein

Fonte: Jornal Valor



Via: www.guiame.com.br

Lula critica "campanha do ódio" e peso da religião na campanha eleitoral

Andréia Martins
Do UOL Eleições
Em São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva votou por volta das 9h30 neste domingo (31) em São Bernardo do Campo, tradicional reduto petista, acompanhado da primeira dama Marisa Letícia, do candidato derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante (PT) e do senador Eduardo Suplicy.

Depois de votar, Lula disse que o presidenciável José Serra (PSDB) sairá "menor dessa campanha". Em entrevista coletiva, ele ainda criticou o que classificou de “campanha do ódio” por parte da oposição e o peso da religião na campanha eleitoral.

“A gente tem que aproveitar a campanha para elevar o nível de consciência da população brasileira. Não para ficar acusando, criando uma consciência preconceituosa”, disse o presidente ao criticar o tom de "agressividade" usado pela oposição contra a candidata Dilma Rousseff (PT) e o preconceito pelo fato de ter uma candidata mulher.

“Temos um preconceito na política. Isso foi demonstrado agora. (...) Isso não muda com a lei, é um problema cultural”, completou Lula.

O presidente ainda comentou o tom agressivo da campanha, baseado em acusações. “É uma coisa delicada. A questão da disseminação do ódio e do preconceito. É uma coisa muito grave”.

Para Lula, os partidos devem se reunir após as eleições para repensar os fatos da corrida presidencial e o peso que a religião ganhou, especialmente no segundo turno em torno da discussão do aborto. “As igrejas vão ter que pensar o seu papel porque muita gente usou e abusou o direito de liberdade na campanha”, disse.

Lula ainda falou sobre as eleições em geral, e ao citar que o Congresso é “reflexo da sociedade”, se disse contrário à tentativa de impedir que o palhaço Tiririca assuma a cadeira de deputado federal. No dia 3 de outubro, o humorista foi o mais votado do Brasil para o cargo.

“Acho uma cretinice o que estão fazendo com o Tiririca”, disse. Para o presidente, impedir que Tiririca seja eleito é "desrespeitar um milhão de pessoas que votaram nele. Quem está pedindo para ele fazer prova [para mostrar que ele não analfabeto] é que tem que fazer”, finalizou.

Fonte: UOL

A mais religiosa de todas as campanhas

Por pressão principalmente das igrejas, questões como o aborto e a união estável homossexual ganharam este ano relevância nunca vista em eleições anteriores

José Maria Mayrink , de O Estado de S.Paulo

Por menos que tenham pesado nos resultados das eleições - um dado a ser ainda analisado - temas religiosos tumultuaram a campanha para a Presidência da República. A religião, que em outras ocasiões entrou no debate por iniciativa do episcopado católico, subiu ao palanque e invadiu a internet em 2010 por pressão de cristãos de várias igrejas, com a introdução de questões como o aborto e a união estável de homossexuais. Bispos e pastores encamparam a discussão, mas a sugestão partiu das bases, para forçar os principais candidatos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), a se definirem. Na quinta-feira, Bento XVI endossou indiretamente essa posição, falando a bispos brasileiros em Roma, aos quais aconselhou orientar os eleitores a rejeitar pelo voto candidatos e partidos favoráveis ao aborto e à eutanásia.

"Esse discurso do papa é uma ingerência direta nos negócios do Brasil, o presidente Lula deveria reclamar com o Vaticano", reagiu Reginaldo Prandi, professor aposentado do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP). Ao analisar a introdução do tema religioso nas eleições, ele afirma que "as igrejas puseram o aborto na campanha e os marqueteiros caíram na esparrela, acolhendo uma questão que não é assunto para presidente da República, mas para deputados, em eleições proporcionais". Para o sociólogo, "o catolicismo perdeu a noção de consciência social e apelou para temas morais, como o aborto e a união homossexual, porque não tem o que dizer".

Prandi achou ridículo Dilma e Serra terem ido a Aparecida, por ocasião da festa da Padroeira do Brasil, "porque candidato não tem de pedir a bênção de bispo nem da Santa". Para o sociólogo, "religião não é uma aliada confiável nessas circunstâncias e, como existem várias religiões, os presidenciáveis devem ter irritado os evangélicos, que baniram a devoção a Nossa Senhora de suas vidas". Ao analisar os números do primeiro turno, Prandi chega à conclusão de que o debate em torno de temas religiosos não foi a causa, mas um elemento desestabilizador para Dilma não ter vencido em 3 de outubro. "A religião tumultuou a campanha, e isso foi interessante", observou.

"A religião sempre teve importância nas eleições, sobretudo a Igreja Católica, mas este ano surgiu um fato novo, o ativismo religioso de grupos ou segmentos que, ao defender a vida e condenar o aborto, vetaram candidatos e partidos, recomendando aos fiéis que não votassem neles", disse a socióloga Maria das Dores Campos Machado, professora da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Chama a atenção, diz, a ênfase dada a um tema moral, em contraste com campanhas passadas, quando as preocupações eram a pobreza, a fome e a justiça social, plataformas dos militantes das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que estavam nas origens do PT.

O debate sobre aborto, na avaliação de Maria das Dores, levou a uma queda de braço que não se via nas últimas décadas, não só entre bispos da Igreja Católica, mas também entre líderes evangélicos. "Essa discussão é nociva, porque me parece marcada pelo fisiologismo e pela troca de favores", adverte. "As igrejas se dividem e disputam espaço no plano regional, ao declarar apoio pragmático a um candidato."

Fundamentalismo. Outro sociólogo, Luiz Alberto Gomez de Souza, diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes, no Rio, acha que houve uma valorização excessiva do tema religioso e uma instrumentalização dessa questão por grupos fundamentalistas. "Nunca houve, em eleições anteriores, essa polarização que se viu agora, nem mesmo quando a Igreja Católica condenava candidatos favoráveis ao divórcio, como o senador Nelson Carneiro (autor e defensor do projeto)", observou o sociólogo. Em sua avaliação, foi negativo cobrar dos candidatos uma definição pessoal em relação ao aborto, porque "no mundo moderno e leigo em que vivemos, isso é fazer confusão entre fé e política".

É diferente a opinião do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Rocha. Ao falar sobre a polêmica criada pelo bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, e outros bispos que recomendaram aos eleitores não votar em Dilma, ele declarou, em Brasília, que o aborto não poderia ter ficado fora do debate eleitoral. A CNBB não citou nomes de candidatos, preferindo aconselhar os católicos a escolher pessoas comprometidas com a defesa de valores éticos, entre eles a defesa da vida, mas reconheceu o direito de um bispo se pronunciar da maneira que quiser, em sua diocese.

"D. Geraldo Lyrio tomou uma posição equilibrada, de acordo com a tradição do episcopado de não apoiar ou vetar candidatos, mas de falar em princípios", elogiou o padre José Oscar Beozzo, historiador e teólogo. Mesmo quando o cardeal Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio, tentou, sem sucesso, criar um partido em 1915, a Igreja limitou-se a dar orientação geral. Em 1933, a Liga Eleitoral Católica apoiou a instituição do voto feminino, então restrito às viúvas e às desquitadas, e fez campanha pelo alistamento de eleitores, arregimentados à porta dos templos. Em 1946, os bispos combateram comunistas e divorcistas, sem citar nomes.

A novidade da campanha de 2010, segundo Beozzo, foi ter entrado em cena um lobby contra o aborto, "fazendo dele a questão única por influência dos movimentos Pro Vida e Opus Dei, como se fosse essa a posição oficial da Igreja". Esse equívoco provocou um racha no episcopado, como não se via desde 1968, "quando um grupo de bispos pediu ao presidente Costa e Silva que interviesse na CNBB para banir os comunistas do episcopado". Em vez de vetar candidatos supostamente favoráveis ao aborto, sugere o teólogo, os bispos deveriam dar aos fiéis a liberdade de tomar posição de acordo com sua consciência.

Fonte: Estadão.com

30.10.10

CADA DIA



VISÃO


“Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos.” 
Gênesis 
50:20

Deus criou este mundo, e considerou que tudo ficou “muito bom”. O pecado invadiu o mundo bom, trazendo sofrimento em todos os nossos relacionamentos. Entretanto, o trabalho de salvação de Deus reverte a situação do mundo.

Quão poderoso é Deus? Deus pode usar intenções más para desempenhar a sua vontade. Deus pode pegar o que deveria ferir para salvar. Deus pode pegar um instrumento de morte — a cruz — e a transformar em um instrumento de vida. Como lidamos com a imperfeição da vida? José nos convida a ter visão. Eu uso óculos porque sem eles não consigo ver as coisas que estão mais do que um ou dois metros à minha frente. Minha miopia me faz apreciar muito as lentes corretivas. “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem...” Este texto nos ensina a corrigir nossa percepção, porque se não o fizermos, podemos nos desanimar e concluir que a “escuridão” do pecado e a morte venceram. Cobertos de culpa, os irmãos de José questionavam se foram mesmo perdoados. Então José fez com que vissem, compreendessem e acreditassem que Deus trabalha para o bem.

No final, Deus vence. No final, nossas conversas, nosso trabalho e nossas vidas devem ser moldadas pela bondade e pela graça de Deus. Nada mais é preciso.

ORE


Deus da graça, gratos somos pelo teu trabalho contínuo pela graça. Agradecemos a cura do que é quebrado e por trabalhar apesar da imperfeição para nos trazer a graça. Em Jesus. Amém.

PENSE


Deus é o único capaz de transformar o mal em bem.

29.10.10

Leonardo Boff, aborto e o Papa: “É importante não sermos vítimas de hipocrisia”



por Leonardo Boff, no informativo Rede de Cristãos

É importante que na intervenção do Papa na política interna do Brasil acerca do tema do aborto, tenhamos presente este fato para não sermos vítimas de hipocrisia: nos catolicíssimos países como Portugal, Espanha, Bélgica, e na Itália dos Papas já se fez a descriminalização do aborto (Cada um pode entrar no Google e constatar isso). Todos os apelos dos Papas em contra, não modificaram a opinião da população quando se fez um plebiscito. Ela viu bem: não se trata apenas do aspecto moral, a ser sempre considerado (somos contra o aborto), mas deve-se atender também a seu aspecto de saúde pública. No Brasil acada dois dias morre uma mulher por abortos mal feitos , como foi publicado recentemente em O Globo na primeira página. Diante de tal fato devemos chamar a polícia ou chamar médico? O espírito humanitário e a compaixão nos obriga a chamar o médico até para não sermos acusados de crime de omissão de socorro.

Curiosamente, a descriminalização do aborto nestes países fez com que o número de abortos diminuisse consideravelmente.

O organismo da ONU que cuida das Populações demonstrou há anos que quando as mulheres são educadas e conscientizadas, elas regulam a maternidade e o número de abortos cai enormente. Portanto, o dever do Estado e da sociedade é educar e conscientizar e não simplesmente condenar as mulheres que, sob pressões de toda ordem, praticam o aborto. É impiedade impor sofrimento a quem já sofre.

Vale lembrar que o canon 1398 condena com a excomunhão automática quem pratica o aborto e cria as condições para que seja feito. Ora, foi sob FHC e sendo ministro da saude José Serra que foi introduzido o aborto na legislação, nas duas condições previstas em lei: em caso de estupro ou de risco de morte da mãe. Se alguém é fundamentalista e aplica este canon, tanto Serra quanto Fernando Henrique estariam excomungados. E Serra nem poderia ter comungado em Aparecida como ostensivamente o fez. Mas pessoalmene não o faria por achar esse cânon excessivamente rigoroso.

Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez. Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz ao feto, por não ter os orgãos todos preparados, apelou para este canon 1398 e excomungou os medicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.

Mas Dom José Sobrinho, arcebispo do Recife o fez. Canonista e extremamente conservador, há dois anos atrás, quando se tratou de praticar aborto numa menina de 9 anos, engravidada pelo pai e que de forma nenhuma poderia dar a luz é edicos e todos os que participaram do ato. O Brasil ficou escandalizado por tanta insensibilidade e desumanidade. O Vaticano num artigo do Osservatore Romano criticou a atitude nada pastoral deste Arcebispo.

É bom que mantenhamos o espírito crítico face a esta inoportuna intervenção do Papa na política brasileira fazendo-se cabo eleitoral dos grupos mais conservadores. Mas o povo mais consciente tem, neste momento, dificuldade em aceitar a autoridade moral de um Papa que durante anos, como Cardeal, ocultou o crime de pedofilia de padres e de bispos.

Como cristãos escutaremos a voz do Papa, mas neste caso, em que uma eleição está em jogo, devemos recordar que o Estado brasileiro é laico e pluralista. Tanto o Vaticano e o Governo devem respeitar os termos do tratado que foi firmado recentemente onde se respeitam as autonomias e se enfatiza a não intervenção na política interna do pais, seja na do Vaticano seja na do Brasil.

Um abraço fraterno

Leonardo Boff

Fonte: VI O MUNDO

Evangélicos criam “central anti-boatos” para Dilma Rousseff

Pastor Marco Feliciano publica carta em apoio à Dilma Rousseff 250x166 Evangélicos criam central anti boatos para Dilma Rousseff

A candidata à Presidência Dilma Roussef tem conseguido ampliar sua influência entre os evangélicos. Este grupo tem sido apontado justamente como alvo de uma campanha de boatos na internet, que teria como objetivo atribuir a Dilma falsas declarações sobre apoio à legalização do aborto e ao casamento entre homossexuais, entre outros.

O contra-ataque atende pelo nome de Comitê Nacional de Inteligência Pró-Dilma (CNIPD), cuja função é neutralizar e-mails apócrifos disparados indiscriminadamente na internet. Até domingo, o Comitê pretende enviar mais de 5 milhões de e-mails diários para evangélicos, apontando fatos e declarações da ex-ministra que evidenciem seus valores éticos, morais, familiares e cristãos.

Deputado eleito por São Paulo, o pastor Marco Feliciano é uma das lideranças à frente da defesa da candidata no meio evangélico. “Estive com Dilma e posso garantir que ela tem mais afinidades com os evangélicos, com pontos de vista em comum, do que José Serra”, afirma, comparando-a com o candidato do PSDB.

Os 35 milhões de evangélicos brasileiros são apontados como um grupo que pode definir a eleição. É por conta da pressão exercida por eles que pontos até então relegados ao descaso no debate político, como aborto, descriminalização de drogas e adoção de crianças por homossexuais, por exemplo, entraram pauta do dia.

A campanha promovida pelo Comitê, porém, visa atingir um grupo ainda mais amplo de pessoas: os indecisos e os eleitores que admitem poder mudar sua opção por um candidato. Feliciano acredita que os evangélicos tendem a seguir orientações de seus líderes, assim como outros grupos religiosos.

“Creio que haverá uma conscientização por parte dos irmãos de que Dilma irá defender os valores cristãos e familiares como presidente”, explica Marco Feliciano, segundo evangélico mais votado no país. O Comitê irá reforçar a ideia de que Dilma manterá os preceitos constitucionais de liberdade de culto, um dos maiores temores dos protestantes.

Fonte: Marco Feliciano / Gospel Prime

Evangélicos são os vencedores da eleição, diz "Wall Street Journal"


O jornal “The Wall Street Journal Americas”, uma versão do diário nova-iorquino voltada para a América Latina, debruçou-se sobre pesquisas eleitorais e constatou que “as eleições brasileiras já têm um vencedor: os evangélicos”.


Segundo a reportagem, publicada em espanhol, dados de levantamento Datafolha mostram que, “no dia da eleição [no primeiro turno], cerca de um milhão de eleitores abandonaram Dilma Rousseff (PT) por razões religiosas”. Ainda, outros três milhões citaram como motivo da mudança do voto acusações de corrupções envolvendo Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, sucessor da petista no cargo.

O jornal reconhece que “muitos eleitores evangélicos, que normalmente provêm da classe operária, apoiam Dilma por motivos econômicos. Confiam em seu esquerdista Partido dos Trabalhadores por prover serviços em suas regiões há muito tempo descuidadas”.

No entanto, na medida em que as propostas de Dilma e José Serra (PSDB) para as áreas econômica e social se apresentam de forma similar, na opinião da reportagem, os eleitores passaram a se preocupar com possíveis diferenças apresentadas em relação temas de caráter moral, como o aborto e a união de homossexuais.

Outro ponto a fato dos evangélicos é o aumento do número de representantes no Congresso. “Este ano foi um ponto de inflexão: candidatos que se definem como protestantes ganharam 50% mais cadeiras, 71 de quase 600 em disputa”.
Aborto

É verdade que muitos evangélicos se posicionaram contra Dilma depois que os assuntos aborto e união entre homossexuais entrou na agenda eleitoral. Mas há outros três fatos que o “Wall Street Journal Americas” não cita.

Primeiro, o de que expoentes da Igreja Católica também criticaram a candidata petista, direta ou indiretamente. D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo diocesano de Guarulhos (SP), disse que o PT é “o partido da morte” porque, segundo ele, “aceita o aborto até o nono mês de gravidez”. A Polícia Federal chegou a confiscar, por ordem do Tribunal Superior eleitoral, 1 milhão de folhetos ligados a essa questão, acolhendo ação do PT.

Dias depois, o Papa Bento XVI “entra na campanha no Brasil”, como disse o “Jornal da Tarde“. O pontífice divulgou carta na qual orienta bispos brasileiros a pregarem contra candidatos que são a favor do aborto.

O segundo fato não citado pelo “Journal” é o de que a discussão sobre aborto atingiu não somente Dilma, mas também Serra. A jornalista Mônica Bergamo publicou na “Folha de S.Paulo” reportagem em que ex-alunas de Mônica Serra, mulher do tucano, afirmam que a tutora contou, em aula, ter feito aborto quando vivia no Chile. A campanha do candidato nega.

Outro fato que o “Journal” ignora é o de que, mesmo entre evangélicos, há divergências em relação a apoiar ou não Dilma por causa da questão do aborto. O bispo Edir Macedo, por exemplo, distribuiu exemplares do jornal “Folha Universal”, da Igreja Universal do Reino de Deus, com reportagens defendendo Dilma e atacando a Igreja Católica e Serra, acusando a campanha tucana de radicalizar a discussão religiosa para angariar votos.
Fonte:Estadão


Via: www.guiame.com.br

Evangélicos escorregam na baixaria da campanha eleitoral

Evangélicos foram usados na campanha eleitoral como “bucha de canhão”, numa guerra que recorreu à retórica que sempre foi muito bem aceita nesse segmento - a luta do “bem” contra o “mal”.

A análise é do teólogo e professor Leonildo Silveira Campos, da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

A luta contra o aborto, o casamento ou a união entre pessoas do mesmo sexo juntou segmentos conservadores do lado evangélico e do lado católico nestas eleições. A quase totalidade dos 30 milhões de evangélicos brasileiros – há estimativas superdimensionadas que falam em 46 milhões – deixou de ser uma minoria “e passaram a se sentir importantes, numérica e socialmente, impulsionados por uma auto-representação de serem o fiel da balança em tempos de eleições”, avaliou Campos.

Institutos averiguadores das intenções de voto divergem quanto ao papel dos eleitores evangélicos no primeiro turno das eleições presidenciais. Pesquisa do Ibope pós 3 de outubro concluiu que o voto religioso teve papel decisivo para levar o pleito ao segundo turno.

“A queda de Dilma (Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores – PT) na véspera do primeiro turno começou entre os evangélicos e depois se estendeu aos católicos. O principal motivo foi a campanha em templos e igrejas contra o voto na candidata por causa da legalização do aborto, defendida pelo PT”, escreveu o repórter José Roberto de Toledo, de O Estado de São Paulo, ao analisar a pesquisa do Ibope.

O DataFolha realizou pesquisa no dia 8 de outubro e detectou que apenas 3% dos entrevistados que declararam ter religião receberam orientação da igreja para não votar em algum dos candidatos à presidência da República. É indiscutível, contudo, o mar de votos que a candidata do Partido Verde (PV), Marina Silva, ela própria seguidora da Assembléia de Deus, recebeu do contingente evangélico. Foram 19 milhões de votos!

Segundo o Ibope, Dilma teve o voto de metade dos católicos, mas de pouco mais de um terço dos evangélicos, empatando, no segmento, com o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. Marina levou a eleição para um segundo turno e declarou neutralidade.

Outra análise de José Roberto Toledo e de Daniel Dramati para O Estado de São Paulo mostrou que Marina teve mais de 15% dos votos válidos em 1.003 municípios, concentrados em cidades grandes e médias dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A concentração de votos da candidata do PV foi acima da média nas capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes na Região Sudeste. Segundo o Ibope, nesses locais concentram-se cerca de 51% dos eleitores evangélicos do país.

Além dos evangélicos, Marina recebeu o voto de setores da classe média sensível à agenda ambiental. Agora, nem todos os votos depositados em favor da candidata do PV foram de evangélicos e de católicos. Apoiaram-na 22% de eleitores ateus, agnósticos ou seguidores de outras religiões.

A pergunta é para quem migrarão os votos de Marina Silva no segundo turno? Dilma e Serra flertam com os evangélicos. A candidata do PT prometeu a 51 líderes evangélicos reunidos, no dia 13 de outubro, com ela e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, vetar teses polêmicas previstas no Programa Nacional de Direitos Humanos III, dentre elas a discriminalização do aborto.

O senador reeleito pelo Partido Republicano Brasileiro, o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) Marcelo Crivella, afiançou que “padre e pastor podem ter dificuldade para pedir votos, mas tiram fácil, fácil”. Fato é que a batalha furiosa pelo voto dos evangélicos chegou também aos púlpitos e veículos de comunicação de massa que igrejas desse segmento detêm.

O líder da IURD, bispo Edir Macedo, defende a candidatura Dilma Rousseff. O pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, engaja-se na campanha de José Serra. Os dois travam um ferrenho duelo e trocam acusações na internet e em jornais, na defesa dos seus candidatos.

Macedo indagou, no seu blog, o que teria levado Malafaia a trocar de lado nessa eleição. “Para justificar que não apoiaria a candidata Dilma, acusou o PT de ser a favor do aborto e apoiar o casamento de homossexuais. Pronto, o caminho estava aberto para, sabe-se lá com que interesse, apoiar o candidato Serra”, afirmou o bispo Edir, lembrando, ainda, que a esposa do candidato do PSDB, Mônica Serra, teria feito um aborto.

O troco veio com uma postagem de Malafaia no youtube, chamando Macedo de mentiroso e vendido ao governo. “Você tem gasto bilhões, dízimo e ofertas do povo de Deus, que você tem injetado na televisão para promover prostituição, adultério, homossexualismo, sensualidade, assassinato e roubo. Sua TV é um lixo moral”, acusou.

Na entrevista que concedeu ao Instituto Humanitas, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), o professor Leonildo Silveira Campos relatou que em alguns templos evangélicos foi instalado telão às vésperas das eleições de 3 de outubro e o pastor projetou filme com cenas de aborto e outros temas explorados pela nova direita, evangélica e católica.

Quatro denominações – Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, IURD e Evangelho Quadrangular – concentram 80% dos evangélicos brasileiros. “São raros os casos em que um fiel frequente exclusivamente os templos de uma igreja”, escreveu o repórter Diego Viana, do jornal Valor Econômico, na matéria “Andar com fé eu vou”.

Para o historiador André Egg, a migração interna entre igrejas evangélicas é mais relevante do que o diálogo ecumênico entre elas. Na mobilidade também residiria a dificuldade de pastor ou bispo “indicar” em quem o fiel deve votar.

Na avaliação do jornalista Moisés Sbardelotto, mestrando em Comunicação Social pela Unisinos, a discussão religiosa nesse período eleitoral mostrou-se “extremamente reacionária e conservadora, apelando para aspectos medievais de um debate que, no fundo, é do âmbito científico, bioético. A religião acabou se destacando como ‘a porta dos desesperados’ políticos, um último recurso – e totalmente desvirtuado – para a vitória política.”

Sbardelatto não acredita que o tema religioso tenha sido a “pauta definidora” do segundo turno, embora admita que religião é um tema importante na sociedade brasileira, relevante, mas não definidor.

Ele trouxe à discussão pergunta interessante: afinal de contas, de que religião se está falando ao discorrer sobre religião? “Pelo que pude observar, estamos falando apenas de setores específicos das igrejas cristãs, especialmente das evangélicas, neopentecostais e católica. A pauta das religiões de matriz africana, por exemplo, foi debatida ou ao menos ouvida?” – indagou.

Não só a pauta das religiões africanas, de igrejas históricas também. Mais comedidos e cientes da responsabilidade que assumem quando falam em nome de suas igrejas, líderes evangélicos históricos recomendam a análise das propostas dos candidatos e dos seus partidos, enfatizando que o voto é livre e deve ser depositado segundo a consciência do eleitor.

O pastor Sandro Amadeu Cerveira, da Segunda Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, confessou que talvez tenha falhado nessas eleições, porque ele ficou com a impressão “de ter feito pouco para desconstruir ou pelo menos problematizar a onda de boataria e os posicionamentos ‘ungidos’ de alguns caciques evangélicos”.

Certo é que não há homogeneidade no voto evangélico. Ele não parece ter o peso que a mídia pretende que tenha. O sociólogo Pedro Ribeiro de Oliveira relativizou a importância do voto evangélico. Ele lembrou que muitos bispos e pastores evangélicos foram candidatos, mas não se elegeram.

A baixaria no processo eleitoral delimitou o campo de batalha entre o PSDB e o PT no segundo turno, numa briga em que evangélicos também entraram e desempenham um papel na arena política. Mas a um preço elevado, de agressões mútuas, que descarta completamente a admoestação de Jesus para que todos os que Nele crêem sejam um.

Fonte: ALC / Folha Gospel

BENTO XVI INTERFERE ONDE NÃO TEM COMPETÊNCIA



Por Samuel Celestino

É a segunda vez que o Papa Bento XVI tenta se envolver em questões internas brasileiras que transcendem as religiões. Na primeira, quando da sua visita ao Brasil, queria interferência do governo para impedir o avanço das igrejas evangélicas, especialmente as pentecostais. Agora, de forma súbita, encaminha aos bispos do país orientação para que transmitam aos católicos sobre em quem devem votar. É inadmissível tal procedimento. Bento XVI manda na Igreja Católica. O estado brasileiro é laico, não tem conotação religiosa. Assim posto, seria ridículo se um presidente da República, por exemplo, Lula, interferisse nos negócios do Vaticano, que é, ao contrário, um Estado independente e religioso. Creio que a campanha eleitoral à Presidência abriu caminho para o Papa interferir, na medida em que a discussão sobre o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo extrapolam a posição das religiões. Elas têm posições a respeito. O Estado laico, como o Brasil o é, pode divergir. Cabe responsabilidade pela intromissão aos dois candidatos, especialmente Dilma Rousseff que, com medo de perder votos, fez um pacto com os religiosos, contradizendo as suas convicções pessoais no que se refere ao aborto. O documento que ela assinou foi uma rendição de uma pretendente à Presidência de um país laico, conforme a Constituição, às questões dos católicos e evangélicos. Ao se render, permitiu que Bento XVI usasse a sua rendição. Seria muito interessante se Lula, novamente um exemplo, viesse a público, ou através de documento ao Vaticano, recriminar a pedofilia que mancha as ações dos sacerdotes e os princípios do catolicismo e dos cristãos. Assim posto, o Papa invade espaço político que não lhe compete. Compromete, no meu entendimento, o posicionamento da Igreja Católica Apostólica Romana, que exercita conservadorismos absurdos: convive com a pedofilia sem expulsar da igreja quem a pratica e condena a camisinha que evita uma doença como a Aids, que devasta o continente africano. Se assim continuar, a Igreja acaba voltando ao tempo da Santa Inquisição e às fogueiras às condenava e executava pelo fogo quem entendia ter cometido pecado. Que, aliás, também no passado poderiam ser remido com o pagamento de indulgências.



Fonte: Bahia Notícias

28.10.10

CADA DIA




TRANSFORMANDO O CAOS



“Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco dias do mês de elul, em cinquenta e dois dias”.
Ne 6.15

Neemias foi um líder de qualidades superlativas. Em 52 dias ele restaurou os muros quebrados de Jerusalém que estavam em ruínas há mais de um século. Ele transformou o caos em cosmos, os escombros em ordem. Entrementes, não apenas ergueu muros, mas também restaurou valores e princípios que deram ao povo nova perspectiva de vida.

No entanto, Neemias precisou de vários anos para levantar a vida espiritual do povo. As reformas físicas são mais fáceis do que as espirituais. Lidar com pedras é mais fácil do que lidar com pessoas. Para levantar muros e assentar portas basta apenas os recursos da terra, mas para reconstruir vidas é imperativo recursos do céu. Não é suficiente levantar os muros da nossa Jerusalém se também não acertarmos nossa vida certa com Deus. Neemias liderou o povo numa profunda reforma espiritual. Então, os inimigos foram envergonhados e o povo de Deus celebrou festa ao Senhor. O caos foi transformado em cosmos, a ordem levantou-se dos escombros e o nome de Deus foi glorificado.

ORE


Senhor, dá-me paciência, constância e ânimo para não sucumbir diante da necessidade de uma profunda reforma espiritual. Peço-te que me equipes com as ferramentas do céu. Amém.

PENSE


Não basta ter reformas físicas sem a restauração da vida espiritual.

Mano Menezes afirma; “Seleção não é lugar para pregação”

27.10.10

A campanha de manipulação nas igrejas



Por Rodrigo Lima

Nassif, sou pastor da Igreja Presbiteriana Independente em Rolim de Moura, Rondônia. Hoje recebo, na caixa de correio da igreja, um DVD que, ao assistir, quase caio para trás. Era uma tremenda manipulação usando versículos bíblicos contra a candidatura da Dilma, falando de lei da mordaça, casamento gay, lei do aborto, aprovação de assassinatos de crianças indígenas, um verdadeiro angu de caroço pra lá de indigesto. Era a mesma turma do Pascoal Piragine, pastor da 1ª Igreja Batista de Curitiba, infelizmente célebre por recentemente usar seu púlpito de modo eleitoreiro – aliás, o DVD traz sua triste mensagem. É de autoria de um tal "Movimento Nacional Cristão Contra a Iniqüidade". O que me salta aos olhos, além da tentativa tosca de manipulação (felizmente barrei essa bobagem aqui onde pastoreio), é o próprio fato de o DVD ter chegado aqui, no interior de Rondônia. Afinal, COMO CONSEGUIRAM O ENDEREÇO DA IGREJA? Qual o cadastro consultado? E quem os financia?

O endereço deles (que não se identificam, apenas colocaram o endereço postal) é Rua José Augusto dos Santos, 108 / sala 502 – Jardim Satélite – S. José dos Campos – SP – 12230-885.

Por fim, mandei a seguinte mensagem para essa turma:

SÚCIA DE FARISEUS

Senhores,

Infelizmente recebi o DVD que vocês enviaram à igreja da qual sou pastor, fazendo tremendas distorções e manipulações usando o nome de Deus para fins escusos. Numa democracia, cada um vota de acordo com sua consciência, e o Estado, graças a Deus, é laico, ou seja, igreja não interfere no Estado e vice-versa. Sua tosca tentativa de manipulação, além de moralmente condenável, é criminosa. Vocês se escondem no anonimato, o que é vedado por nossa Constituição, além de ser algo incompatível a um cristão, que deve sempre assumir seus atos. O que gostaria de perguntar é o seguinte:

1. Quem financia vocês? Há prestação de contas, contabilidade às claras?

2. Como conseguiram o endereço da igreja que pastoreio?

Finalmente, não se esqueçam (se é que um dia chegaram a se lembrar):

Ex 20.16, Dt 5.20: Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

Ex 23.1: Não levantarás falso boato, e não pactuarás com o ímpio, para seres testemunha injusta.

Jó 13.7: Falareis falsamente por Deus, e por ele proferireis mentiras?

Pro 6.16-19: Há seis coisas que o Senhor detesta; sim, há sete que ele abomina: olhos altivos, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente; coração que maquina projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal; testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

Isa 32.6: Pois o tolo fala tolices, e o seu coração trama iniqüidade, para cometer profanação e proferir mentiras contra o Senhor, para deixar com fome o faminto e fazer faltar a bebida ao sedento.

Mar 4.24: Também lhes disse: Atendei ao que ouvis. Com a medida com que medis vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará.

Que o verdadeiro Deus da Justiça atente para a iniqüidade perpetrada por vocês!

Matéria extraída do BLOG DO LUIS NASSIF

Arcebispo diz que irmã Dulce será beatificada


Irmã Dulce

Freira foi considerada 'Madre Teresa do Brasil' por comissão do Vaticano

O arcebispo de Salvador, D. Geraldo Majella Agnelo, anunciou nesta quarta-feira que a irmã Dulce será beatificada pelo Vaticano. A freira baiana, cujas “virtudes heróicas” foram reconhecidas pela Igreja Católica no ano passado, morreu em 1992, aos 77 anos.

Segundo uma nota da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), até o fim do ano será marcada a data da cerimônia de beatificação.

“Para ser considerada beata, foi necessária a comprovação da existência de um milagre atribuído à religiosa, fato que aconteceu nesta semana em Roma”, diz a nota. O processo ainda tem de ser assinado pelo papa Bento 16.

A beatificação é o primeiro passo para que a irmã possa ser canonizada. Para ser considerada santa, o Vaticano tem de comprovar mais dois milagres realizados pela religiosa.

‘Madre Teresa do Brasil’

O processo de beatificação de Dulce Lopes Pontes, que trabalhou na capital baiana, começou em janeiro de 2000.

Por sua dedicação aos pobres, ela foi definida como a "Madre Teresa do Brasil" pela comissão vaticana que examinou sua vida e suas obras de caridade.

Em 2003, a Congregação da Causa dos Santos recebeu os atos jurídicos do processo e reconheceu um possível milagre ocorrido por intercessão da religiosa. Irmã Dulce teria curado uma mulher que sofria com uma grave hemorragida.

Uma graça é considerada milagre após ficar demonstrado que foi alcançada logo após o pedido; se o pedido foi atendido de forma completa, se foi permanente e se não pode ser explicado pela ciência.

Fonte: BBC Brasil