5.6.12

Mais de mil assistidos por 'Dr. Jesus' prometem acampar na sede do Grupo Metrópole


O grupo da Fundação Dr. Jesus, mantida pelo deputado estadual Pastor Sargento Isidório (PSB), faz uma verdadeira festança na manhã desta terça-feira (5), no estacionamento da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), no Centro Administrativo (CAB), em Salvador. Um carro de som, que ecoa (em volume elevadíssimo) canções evangélicas em ritmo de arrocha e tecnobrega, dá o ritmo de dezenas de manifestantes que batem-coxa enquanto cobram “Justiça”.

Entre mesas e cadeiras espalhadas, os internos e ex-internos se esbaldam em refrões como “olhe para a pessoa mais bonita do seu lado e diga: catequizando”, como aponta uma das músicas do hit parade. De acordo com a coordenação da mobilização, até o final do dia espera-se reunir 1.128 pessoas (número exato mesmo), entre internos, ex-internos e familiares. Segundo os organizadores do “evento”, o destino é a sede do Grupo Metrópole, na Rua Conde Pereira Carneiro, em Pernambués. Há duas semanas, o jornal da emissora denunciou supostas irregularidades da entidade, a exemplo de maus tratos aos pacientes. Várias faixas e cartazes são exibidos pelos inflamados manifestantes, com frases de efeito contra o proprietário do veículo, Mário Kertész, pré-candidato a prefeito da capital baiana pelo PMDB.

O chamado “Exército de Jesus” está equipado com mantimentos, colchonetes, bebidas e promete acampar na Metrópole até que o peemedebista faça uma retratação pública e abra o microfone para os liderados de Isidório se defenderem, ao vivo. Se for necessário, eles prometem dormir lá. “A gente quer que ele [Mário Kertész] prove o que disse, que os internos são alimentados somente duas ou três vezes por semana e que há um cemitério em nosso quintal”, bradou o funcionário Ronald Dias, em entrevista ao Bahia Notícias, ao dizer que a reportagem do JM “deduziu” os fatos, pois não esteve na fundação, localizada em Candeias. “As portas da nossa casa estão abertas para ele”, completou.

O ex-paciente André Santana, que ficou nove meses internado e saiu do “Dr. Jesus” há um ano e quatro meses, explicou que haveria uma possível distorção na interpretação dada pela empresa de comunicação ao tratamento recebido pelos internos. “Eu usava todos os tipos de drogas: crack, cocaína, maconha, cachaça. Vivia no meio da rua, quase como um mendigo, e já tinha vendido tudo em casa. No centro pude conhecer o cristianismo e hoje estou curado. No início da internação assistimos a um vídeo com as regras da unidade e do tratamento. O jejum acontece em dias alternados e somente até o meio dia. O que liberta é o jejum e a oração. O jejum é voluntário e, segundo a própria Bíblia, uma forma de libertação”, atestou, ao salientar ainda que “os trabalhos [aos quais seriam obrigados a fazer] são para a manutenção da própria casa”. Para não perder o “efeito-surpresa”, os militares de Cristo, ou melhor, de Isidório, não revelam o horário em que pretendem chegar à Metrópole.
Com informações do Bahia Notícias.

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