As complexidades da perseguição

por: underground

"Se você constrói seu templo junto a uma mesquita, eu não acho que você esteja criando amizades. E se um cristão mata um muçulmano, e um muçulmano mata um cristão por vingança, isso não é perseguição - isso é guerra civil!"

Irmão André


Quando falava aos cristãos do Sri Lanka em meados do ano 2000, o Irmão André refletia sobre a grande pergunta sobre a perseguição que raramente é formulada:"Quando os cristãos merecem ser perseguidos?" Quando são "corajosos demais" - e a agressividade subjuga a prudência - , a forte reação provocada pode ser chamada de perseguição?"

Todos nós sabemos que perseguição se refere somente à situação na qual os cristãos sofrem por causa de Cristo. Na prática, no entanto, não é fácil discernir isto. Será que os cristãos que construíram uma igreja próxima a um templo budista no Sri Lanka, chamando seus adversários para briga, são tão tolos que as ameaças resultantes - apedrejamentos e a subsequente demolição da igreja - eram exatamente o que mereciam? A hierarquia liberal da igreja com certeza considerou o caso assim e recusou-se em classificá-lo como uma ocorrência de perseguição.

O assunto é complicado principalmente porque não existe uma definição universalmente aceita do que constitui a perseguição. A questão é muito confusa. Muitas das mortes na ilha indonésia de Ambon, particularmente em 1999, foram praticados por cristãos que massacraram muçulmanos sem piedade. Por que outra razão 99% dos 100 mil refugiados que abandonaram a região em meados do ano 2000 seriam de muçulmanos? Portanto, quando chegou uma tropa de muçulmanos do Jihad para se vingar, eles estavam vindo "perseguir" cristãos indefesos ou continuar uma "guerra civil"?

A situação fica ainda mais complicada. Quando eles chegaram, não há dúvidas de que procuraram atingir alguns dos cristãos que estavam envolvidos na violência contra os muçulmanos, mas, no geral, eles se satisfizeram em aterrorizar os moradores cristãos que nunca haviam tomado parte da luta. Assim, houve guerra civil e perseguição de ambos os lados!

Além disso, será que os cristãos que mataram os muçulmanos eram realmente cristãos? E se os cristãos que foram mortos não fossem cristãos praticantes? Eles seriam mártires ou não? Tudo que podemos dizer é que há casos genuínos de perseguição dentro de cenários mais amplos de guerra civil.

O irmão André, no entanto, resolve essas complicações com um único teste. "Se a oposição surge depois de os cristãos tentarem de tudo para criar amizades, então trata-se de perseguição", diz ele. É assim que podemos determinar se a agressão foi "por causa de Cristo" - quando ela não é provocada.

Essa abordagem nos ajuda de certa forma, mas não resolve todas as situações. Se um pregador cristão na Índia gentilmente diz a um hindu que ele é um "pecador", isto é um insulto chocante a uma fé sagrada que merece puniçao ou ele está dentro do seu direito de proselitismo?

Temos de viver com o fato de que a perseguição é uma questão complexa que provavelmente vai se tornar ainda mais complicada. Há dificuldades para se identificar cada caso, como vimos. Existem ainda problemas de generalização, quando casos isolados de perseguição são supervalorizados e transformados em norma. Isto ocorre, por exemplo, quando se afirma que todos os cristãos na China estão sendo espancados em razão da sua fé.

Essas complicações surgem porque a perseguição, como tudo mais, está atrelada à política. Alguns grupos a exageram para levantar fundos. Outros negam sua existência para livra a cara. A variabilidade de interpretações resulta em todo tipo de conclusões contraditórias sobre a ocorrência ou não da perseguição e sobre quem são suas vítimas. Ore para que aprendamos a conviver com essas complexidades de forma que os cristãos perseguidos não sejam usados, mas sim ajudados.


*Texto extraído do livro A palavra dos perseguidos escrito por Alex Buchan e Paul Estabrooks

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